Tomás Nota foi trocar seu dinheiro no Banco do Pronome.
- Desculpe, nós não trabalhamos com dinheiro aqui! - explicou o caixa do banco. Você pode trocar um substantivo por um pronome.
- Como assim? - espantou-se o bloquinho.
- Por exemplo: em vez de dizer "o banco não trabalha com dinheiro", eu disse "nós não trabalhamos com dinheiro".
- Deixa eu ver se entendi. Você está dizendo que trocou "banco", que é um substantivo, por "nós", que é um pronome.
O caixa se animou:
- Certo. Qual é seu nome?
- Tomás Nota.
- Seu nome é um substantivo, como o nome de todo mundo. Mas as pessoas podem chamá-lo de outro modo: você. A gente pode trocar o substantivo Tomás Nota pelo pronome você.
- E por quê tem de trocar? - perguntou, curioso.
- Para variar... já pensou ter de ficar repetindo seu nome em cada coisa que eu digo a você? E se eu fosse falar de você para outra pessoa, eu poderia dizer: "Ele tem um nome esquisito". "Ele" é um pronome que a gente usa para substituir Tomás Nota.
Ele se ofendeu um pouco com esse negócio de o caixa ficar falando mal do nome dele. Mas o caixa mudou de assunto.
- Bom, tem outra coisa que as pessoas fazem no Banco do Pronome.
- Ah, e o que é?
- Pegam pronomes para acompanhar substantivos.
- Ih, lá vem você de novo, resmungou o impaciente Tomás.
- Quando a gente fala "seu nome", ou o "nome dele", os pronomes vêm ao lado do nome (substantivo) para deixar claro de quem ele é.
Pronomes substituem, retomam ou acompanham substantivos, relacionando-os às pessoas do discurso*.
*Anjo Aurélio explica: "Pessoas do discurso são as pessoas que estão falando"
Mas Tomás Nota não ficou satisfeito, e queria saber mais sobre o tal do pronome. Você sabe como eles são classificados?
Os pronomes podem ser classificados em:
Pessoais: substitui os substantivos que representam as pessoas do discurso. Podemos usar os Pronomes pessoais retos: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas, em vez do nome de cada um.
Exemplos: João e Maria foram ao supermercado = Eles foram ao supermercado.
Maria comprou batatas = Ela comprou batatas.
Pronomes pessoais oblíquos: me, mim, comigo, te, ti, contigo, o, a, lhe, se, si, consigo, nos, conosco, vos, convosco, os, as, lhes, se, si, consigo.
Exemplos: Eu dei um bombom ao João = Eu dei-lhe um bombom.
João, acompanhe o Joaquim e eu = João, acompanhe-nos.
Pronomes pessoais de tratamento: representam a forma de se tratar as pessoas. De forma cerimonial ou informal. Você (para familiares e amigos), senhor e senhora (para as pessoas que não conhecemos muito bem), senhorita (para mulheres solteiras) Vossa Excelência (para autoridades: presidente, governadores, prefeitos), Vossa Senhoria (para pessoas graduadas), Vossa Majestade (para reis e imperadores), Vossa Alteza (para príncipes e duques), Vossa Santidade (para o Papa), Vossa Eminência (para cardeais), Vossa Reverendíssima (para sacerdotes).
Possessivos: meu, minha, meus, minhas, teu, tua, teus, tuas, seu, sua, seus, suas, nosso, nossa, nossos, nossas, vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas. Os pronomes possessivos acompanham substantivos para dar ideia de posse em relação à pessoa do discurso. Exemplos: meu casaco, tua mãe, suas mãos, nossa família, vosso cachorro.
Demonstrativos: acompanham substantivos para situá-los no espaço, no tempo ou no texto, em relação à pessoa do discurso. Este, esta, estes, estas, esse, essa, esses, essas, aquele, aquela, aqueles, aquelas, isto, isso, aquilo.
Exemplos:
Espaço
Este carro é meu (indica que o carro está próximo da pessoa que fala)
Esse carro é meu (indica que o carro está próximo da pessoa que ouve)
Aquele carro é meu (indica que o carro está longe das duas pessoas)
Tempo
Este ano está maravilhoso (indica o ano presente)
Este ano foi maravilhoso (indica um ano recente, mas que já passou)
Aquele ano foi maravilhoso (indica um ano muito distante)
Texto
Só te peço isto: confie em mim. (indica o que ainda vai ser dito)
Confie em mim, é isso que lhe peço. (indica o que já foi dito)
Vitor e Eduardo são atletas: este faz natação, aquele joga futebol. (retoma dois termos)
São também demonstrativos:
mesmo - A missa de Natal é sempre a mesma.
próprio - Ela própria resolveu o problema.
tal - Tal atitude foi inexplicável.
semelhante - Não tenha semelhante atitude.
Relativos: o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas, que, quem, onde. Os pronomes relativos acompanham substantivos, relacionando-os a uma oração que vai começar.
Exemplos:
Esse é o seriado que eu mais gosto. "Que" é o pronome que acompanha o substantivo "seriado", relacionando-o à expressão "eu mais gosto".
Este é o livro cujas folhas estão amareladas.
Essa é a cidade onde moro.
Indefinido: refere-se à 3ª pessoa (ele, ela, eles, elas) de modo impreciso. Algum, algumas, nenhum, nenhuma, todo, todas, muito, muita, pouco, certas, outro, outra, tanto, tantas, vários, diversas, um, umas, qual, bastante, algo, alguém, nada, ninguém, tudo, cada, quem, vários, diferentes, diversos, etc.
Exemplos:
Ninguém sabe o que aconteceu. (Em vez de dizer "eles não sabem o que aconteceu").
Não disse nada.
Vim com todos os irmãos.
Interrogativo: usado em perguntas. Quem, qual, que, quanto.
Exemplo:
Qual é o seu nome?
Quantos anos você tem?
Ao ver Tomás Nota passeando pelo Bairro da Morfologia, um garoto veio perguntar:
- Você está perdido?
- Não, só passeando.
- Ah, então vou levar você a um lugar legal. Meu nome é Morfeu, e o seu?
- Tomás Nota.
E os dois garotos de nomes esquisitos foram ao Bazar do Artigo.
- Que artigos vocês têm aí? - perguntou Tomás Nota.
A dona do bazar, que não era de fazer rodeios, foi logo dizendo:
- O, a, os, as, um, uma, uns, umas.
- E para que servem?, provocou Morfeu, dando uma piscadinha para o bloquinho. Afinal, Morfeu era do bairro e conhecia muito bem aquele lugar.
- Se você tem um substantivo, o artigo pode dizer se ele está no singular ou no plural. Por exemplo, o carrinho, os carrinhos.
E ela desandou a falar:
- Do mesmo modo, o artigo pode identificar o substantivo como masculino ou feminino. Como o substantivo "boneca" é feminino, usamos a antes dele: a boneca. Se é boneco, dizemos o boneco.
A mulher continuou seu discurso:
- Se eu me refiro a um ser qualquer de uma espécie, uso os artigos indefinidos: um gato, uma xícara, uns cadernos, umas árvores. Mas se, por outro lado, eu quero falar seres definidos, eu uso os artigos definidos: o gato Xavier, a xícara quebrada, os cadernos de Matemática, as árvores que caíram!
No meio do passeio, Tomás Nota passou no Correio.
Pensou nos seus pais e no Sandoval, seu cachorro tão leal, e resolveu mandar um cartão postal.
- Quero mandar um cartão saudade casa!, disse ao funcionário, que quase teve um desmaio.
"Xi! Que cara burro", o funcionário pensou, mas não disse, com medo de ganhar um murro.
- Você quer mandar um cartão DE saudades? - perguntou o funcionário.
Tomás Nota achou que era má-vontade.
- Você quer enviar um cartão PARA casa? - implicou o funcionário.
Tomás Nota se sentiu um otário.
- Aqui é o Correio da Preposição. Enviamos pacote COM presente, e todo tipo de cartão. Mandamos também cartas POR via aérea e telegramas PARA dizer parabéns.
Tomás Nota achou graça do funcionário, que fazia pose de competente.
Depois de escrever o cartão, entregou para o tal, que ainda disse:
- Ei! Está SEM o remetente!
Percebendo qual era o jogo, nosso herói resolveu ser peralta.
- EM VEZ DE escrever meu nome verdadeiro, vou assinar meu apelido!
E você, percebeu qual era o jogo?
O jogo era usar preposições corretamente!
Afinal, "Quero mandar um cartão saudade casa" não é frase que se apresente.
Entre "cartão" e "saudade" é preciso a preposição DE, como mostrou o funcionário do Correio. E entre "saudade" e "casa" também tem que haver uma palavra de ligação: PARA, que é uma preposição!
Isso porque alguém pode sentir saudades DE casa, pode sentir saudades EM casa (de alguém que está lá fora...). Tem que falar direito para ser entendido, não é?
Preposições fazem as ligações certas entre as palavras.
Você quer saber como as preposições trabalham e chegam a modificar uma oração?
Você já viu o que acontece quando alguém liga um aparelho de 110V na tomada de 220V? Além de não funcionar, quebra.
É preciso fazer a ligação correta.
Assim são as preposições: cada uma serve para dizer uma coisa diferente.
Veja como esta oração pode mudar, de acordo com a preposição colocada:
Este é um papo DE adultos.
Este é um papo SEM adultos.
Este é um papo COM adultos.
Este é um papo ENTRE adultos.
Este é um papo SOBRE adultos.
Muitas vezes, a preposição aparece grudada em outras palavrinhas:
Combinação
Quando a preposição se junta e ninguém perde letra.
Veja:
Aonde você pensa que vai? AONDE = A + ONDE.
Outros exemplos: ao (a + o), aos (a + os)
Contração
Quando a preposição se junta e fica diferente.
Atente:
Coloque o destinatário NESTE cartão. NESTE= EM+ESTE
Outros exemplos: num (em + um), daquele (de + aquele)
Além de preposições grudadas em outras palavras, há também as preposições que são formadas por várias palavras que andam uma do lado da outra. São as locuções prepositivas. Você viu como o Tomás Nota aprendeu o jogo da preposição que o funcionário do Correio quis jogar com ele? Até usou "em vez de"... que chique.
Exemplos de locuções prepositivas:
ALÉM DE não tomar banho, não fez lição de casa.
Eu empresto meu brinquedo, APESAR DE você ser chato.
EM VEZ DE assinar meu nome, vou usar meu apelido.
Locução prepositiva é o grupo de palavras que vale por uma preposição.
A crase (o acento grave) tem tudo a ver com preposição. Aliás, não há crase se não houver a preposição “a”, ok? O acento grave da crase serve para dizer que há duas letras “a” juntas. O “a” da preposição + o “a” do artigo.
Ocorre crase
Antes de palavras femininas com artigo, pronomes demonstrativos (aquele, aqueles, aquelas, aquilo) e pronomes relativos, que estão depois de um verbo que exija a preposição “a”.
Verbo Ir: Eu fui à festa (a + a). Eu fui àquela festa (a + aquela). Eu fui às reuniões (as + as). Esta é a menina à qual me referi.
Em locuções adverbiais femininas: Saímos à noite. Ele ficou à vontade. Sentou-se à direita de sua mulher. Comprou o computador à vista. Trabalham à beça.
Na indicação de horas: Chegamos às dez horas.
Em locuções prepositivas formadas de palavras femininas: à beira de, à custa de, à espera de, à procura de.
Locuções como: à medida que, à proporção que.
Não ocorre crase
Antes de palavra masculina: Andava a cavalo.
Antes da maioria dos pronomes: Diga a ele para não se atrasar.
Antes de verbos: Ela estava disposta a colaborar.
Antes de palavras no plural: Fui a reuniões.
Entre palavras repetidas: Gota a gota, passo a passo.
Na expressão “a distância”: A menina observava o menino a distância.
A no singular e palavra no plural: O texto está sujeito a várias interpretações.
Quando a crase é facultativa:
Diante de nomes próprios femininos: “Refiro-me a Rita” ou “Refiro-me à Rita”.
Diante de pronomes possessivos femininos: “Refiro-me a sua irmã” ou “Refiro-me à sua irmã”.
Depois da preposição até: “Vou até à padaria” ou “Vou até a padaria”.
Tomás Nota entrou na Imobiliária do Advérbio e deu de cara com um homem grande e gordo, que usava uma gravata toda colorida, e fazia anotações. Era o corretor de imóveis, aquele que vende e aluga as casas e apartamentos. O bloquinho ficou com medo de atrapalhar, mas logo que o viu, o homem abriu um sorriso largo e fez sinal para o garoto se aproximar. Então Tomás Nota perguntou:
- Ei, você tem uma página na Internet onde eu possa ficar morando uns tempos?
Um site aqui perto, com link para a Cidade da Gramática.
Com sua voz grossa, o homem respondeu:
- Aqui trabalhamos com imóveis! Casas e apartamentos! Mas você pode nos visitar sempre. Pode passar rapidamente, ou passear bastante...
Nosso amigo ficou feliz por poder voltar sempre que quisesse. E percebeu também que havia uma lição escondida nas palavras do corretor... Afinal, eles estavam na Imobiliária do Advérbio! Repare nestas frases:
Aqui trabalhamos com imóveis (lugar)
Você pode nos visitar sempre (tempo)
Pode passar rapidamente (modo)
Passear bastante (intensidade)
Todas as palavras em negrito têm a mesma função: são advérbios. Eles modificam os verbos, que estão sublinhados.
Dê uma espiadinha na próxima página para ver como os advérbios modificam os verbos...
Quando duas ou mais palavras exercem a função do advérbio, temos a locução adverbial.
O advérbio apresenta flexões de grau.
Observe o grau comparativo:
Ele nos visita tão cedo quanto você (comparativo de igualdade)
Ele nos visitou mais cedo que você (comparativo de superioridade)
Ele nos visitou menos cedo que você (comparativo de inferioridade)
E também há o grau superlativo:
Ele nos visitou cedíssimo.
Não repare, o superlativo é exagerado mesmo.
Classificação
Advérbio é a classe de palavras que vem associada ao verbo, ao adjetivo
ou ao próprio advérbio, que pode até modificar uma frase inteira.
O advérbio indica circunstâncias de modo, tempo, lugar,etc.
Exemplos:
O corretor de imóveis mora longe
O dia está muito calmo
Conforme a circunstância que exprime, o advérbio classifica-se em advérbio:
de dúvida:
de lugar:
de modo:
de tempo:
de intensidade:
de afirmação:
de negação:
Talvez, quiçá, acaso, decerto, porventura, provavelmente, possivelmente, eventualmente. Exemplo: Provavelmente compraremos uma bicicleta.
Aqui, ali, cá, lá, perto, longe, acima, abaixo, dentro, fora. Exemplo: Ele mora perto da minha casa.
Bem, mal, assim, depressa, devagar, melhor, pior e a maioria das palavras que terminam com -mente: calmamente, suavemente, tristemente. Exemplo: O ladrão saiu da casa apressadamente.
Ontem, hoje, amanhã, antes, depois, agora, antigamente, raramente, breve, cedo, tarde, já, enfim, frequentemente, antigamente. Exemplo: Cheguei tarde.
Muito, pouco, bastante, mais, menos, demais, tão, tanto, todo, quase, meio, etc. Exemplo: Nunca um jogo foi tão violento.
Sim, deveras, certamente, realmente, efetivamente, seguramente. Exemplo: Realmente derrubaram a casa.
Não, absolutamente, tampouco. Exemplo: Não fique aí parado!
Há também os Advérbios Interrogativos:
Quando você virá? (quer saber o tempo)
Como ele resolveu a segunda questão? (quer saber o modo)
Onde você trabalha? (quer saber o lugar)
Por que você faltou ontem? (quer saber a causa)
Locução Adverbial
É a expressão formada de preposição + substantivo, ligada ao verbo
com função equivalente à do advérbio.
Exemplos:
Aquele menino saiu às pressas. (indica modo)
À tarde fico vendo TV. (indica tempo)
Ele virá com certeza. (indica afirmação)
Veja algumas locuções adverbiais:
Ao lado, a cavalo, ao vivo, de repente, por fora, lado a lado, às claras, ao fundo, a pé, por dentro, por ali, na verdade, de fato, passo a passo, às cegas, ao longo, de vez em quando, de propósito, por ora, sem dúvida, com certeza, quem sabe, em excesso, sem medo, em vão, em silêncio, a qualquer momento, de repente, hoje em dia, à distância, à esquerda, à direita, em geral, à toa.
Grau do Advérbio
Comparativo
de igualdade:
de superioridade:
de inferioridade:
Canto tão bem quanto ela.
Canto pior do que ela.
Canto melhor do que ela.
Superlativo Absoluto
sintético:
analítico:
Acordei cedíssimo.
Acordei muito cedo.
Diminutivo
Meu amigo saiu rapidinho.
No prédio onde é gravado o Jornal da Conjunção, os dois apresentadores treinavam as manchetes antes de aparecer na TV.
Apresentador 1: - O presidente da República está com dor de cabeça.
Apresentador 2: - Já tomou remédio.
O diretor do jornal apareceu, bravo, e deu uma bronca:
- Não! Está faltando alguma coisa! Façam de novo.
Apresentador 1: - O presidente da República está com dor-de-cabeça.
Diretor do jornal: - MAS...
Apresentador 2:- Já tomou remédio.
- Perceberam?, perguntou o diretor do jornal, "O presidente está com dor-de-cabeça MAS já tomou remédio". Continuem. Inventem uma frase qualquer, só para eu ver se vocês aprenderam direito!
Apresentador 1: - Hummm... Qualquer uma? "Minha tia sempre me dá cuecas".
Apresentador 2: - "É meu aniversário".
- Vocês não aprendem? Está faltando alguma coisa! Repitam.
Apresentador 1: - Minha tia sempre me dá cuecas.
Diretor de jornal: - QUANDO...
Apresentador 2: - É meu aniversário.
Aí foi a hora dos apresentadores, que eram meio burrinhos, ficarem bravos:
- Isso não é assunto para jornal!, reclamaram em coro
- E daí? - o diretor respondeu. - Não interessa o assunto: sempre que a gente quer combinar duas orações, a gente usa uma conjunção!!!
As conjunções também são classificadas como subordinativas e coordenativas!
Meio entediado com tanta explicação, o apresentador 1 desconversou:
- Sei... quer uma bala?
- Quero!, gritou o diretor.
- Vermelha ou verde?
- Não importa a cor! O importante é que agora você aprendeu. Entre termos semelhantes de uma oração, a gente também usa uma conjunção.
Exemplos:
Vermelha ou verde?
É bom comer arroz e feijão.
Há dois tipos de conjunções:
Subordinativa: quando liga uma oração a outra que depende dela. Se você diz "Estou triste", alguém vai perguntar, "Por quê?".
"Estou triste porque minha mãe brigou comigo." (Porque = conjunção)
As conjunções subordinativas podem ser:
Temporais: dão a idéia de tempo. Quando, enquanto, logo que, depois que, antes que, desde que, sempre que, assim que. Exemplo: Eu cheguei logo que ele saiu.
Causais: dão a idéia de causa. Porque, já que, visto que, como, uma vez que. Exemplo: A prova foi cancelada porque a professora faltou.
Condicionais: dão a idéia de condição. Se, caso, contanto que, a menos que, salvo se, desde que, a não ser que. Exemplo: Se você estudar, poderá jogar vídeo-game.
Proporcionais: dão a idéia de simultaneidade. À medida que, quanto menor, quanto melhor, tanto mais, à proporção que, quanto mais. Exemplo: À medida que crescemos, ficamos mais maduros.
Finais: dão a idéia de finalidade. A fim de que, para que. Exemplo: João estudou muito para que fosse bem na prova.
Consecutivas: dão a idéia de consequência. Tal... que, tanto... que, tamanho... que, tão... que, de modo que, de forma que, de maneira que, de sorte que. Exemplo: Ontem fiquei doente, de modo que não fui à aula.
Concessivas: dão a idéia de contrariedade. Embora, ainda que, mesmo que, se bem que, conquanto, sem que. Exemplo: Por mais que treine, Juliana não é boa no futebol.
Comparativas: dão a idéia de comparação. Como, mais... (do) que, menos... (do que), tão... quanto/como, tanto... quanto/como, assim como, tal qual. Exemplo: Ela é bonita assim como sua mãe.
Conformativas: dão a idéia de conformidade de um fato com outro. Conforme, segundo, consoante, como. Exemplo: Fiz o trabalho conforme o professor pediu.
Integrantes: introduzem orações que equivalem a substantivos: que, se. Exemplo: Espero que você volte.
Coordenativa: quando a conjunção liga duas orações ou dois termos que poderiam estar separados. Por exemplo: O presidente da República está com dor de cabeça. O presidente já tomou remédio.
Essas orações poderiam estar separadas. Se quisermos juntá-las, usamos uma conjunção: O presidente da República está com dor de cabeça, mas já tomou remédio.
As conjunções coordenativas podem ser:
Aditivas: dão a idéia de adição. E, nem, mas ainda, como também, mas também (depois de não só). Exemplo: Ela não foi à festa nem avisou sua ausência.
Adversativas: dão idéia de oposição. Mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. Exemplo: O livro era ótimo, mas não vendeu muitos exemplares.
Alternativas: dão a idéia de alternância. Ou (repetida ou não), ora, quer, já, seja (repetidas). Exemplo: Estarei aí, quer faça chuva, quer faça sol,
Explicativas: dão a idéia de explicação. Que, porque, porquanto, pois. Exemplo: Leia este livro, pois será matéria da prova.
Conclusivas: dão a idéia de conclusão. Logo, portanto, por isso, pois, por conseguinte, então, assim. Exemplo: Não irei viajar, pois estou sem dinheiro.
Pequeno como uma criança, um robô recepcionava as pessoas no térreo da Loja do Verbo.
- Brincar? Jogar? Montar? Rolar?
Tomás Nota riu daquela maquininha engraçada e foi falar com ele.
- E aí, Robô? Tudo bem? Para que servem os verbos?
- Para fazer coisas! - o pequeno respondeu. -Brincar, jogar, montar, rolar, ser, estar!
- Posso experimentar alguns verbos?
A cabeça do robô virou na direção do Tomás Nota. Arregalou seus olhos eletromagnéticos e anunciou:
- Primeiro andar: Verbos terminados em -ar! Verbos terminados em -er!
Verbos terminados em -ir!
E foram em direção à escada rolante. O robô pegou o menino pelo braço, para levá-lo para cima.
Para descobrir o que o robô maluquinho mostrou ao nosso amigo Tomás Nota, visite todos os andares da Loja do Verbo! Mas não vá se perder, hein?
PRIMEIRO ANDAR
Milhares de verbos os esperavam no primeiro andar, em prateleiras a perder de vista.
Mas, reparando bem, Tomás Nota viu que todos os verbos estavam divididos em três seções:
Verbos terminados em -AR: falar, apertar, chutar
Verbos terminados em -ER: comer, beber, fazer
Verbos terminados em -IR: sair, partir, sugerir
Para cada tipo de verbo, havia um botão de experimentar.
- Tente algum - sugeriu o robô.
O Tomás Nota apertou um botão, e uma voz surgiu no alto-falante:
Eu aperto
Tu apertas
Ele aperta
Nós apertamos
Vós apertais
Eles apertam
O bloquinho deu uma gostosa gargalhada. Estava começando a ficar divertida aquela brincadeira. Então ele apertou o botão dos verbos terminados em -ER:
Eu como
Tu comes
Ele come
Nós comemos
Vós comeis
Eles comem
Apesar da fome que sentiu com tanta gente comendo, o Tomás Nota também experimentou o modelo dos verbos terminados em -IR:
Eu parto
Tu partes
Ele parte
Nós partimos
Vós partis
Eles partem
- Gostou? - foi a pergunta do robô. - Agora vamos partir para o segundo andar. para eu mostrar a você os tipos de verbo. Siga-me!
SEGUNDO ANDAR
Na escada rolante, o robô foi matraqueando:
- A maior parte dos verbos segue um modelo. Há o modelo dos verbos terminados em AR, o dos verbos terminados em ER, e o dos terminados em IR. A primeira seção deste andar é de Verbos Regulares.
- O que são verbos regulares, Robô? - perguntou o Tomás Nota.
O robô devolveu:
- Muito simples. São os que seguem o modelo.
amo - falo - gosto
amas - falas - gostas
ama - fala - gosta
- Existe uma parte que não muda na conjugação de um verbo. É o radical:
"am" em "amar", "fal" em "falar", "gost" em "gostar"... É só trocar os radicais e você tem um modelo.
- E como faz para saber quem é o radical?
- Muito fácil. Retire a terminação: -AR, -ER, -IR. Por exemplo: o radical de "comer" é "com". O de "partir" é "part".
O robô coçou sua cabeça de metal e continuou:
- Só tem um probleminha - ele confessou.
- Qual?
- Existem alguns verbos rebeldes, que não seguem o modelo. São os verbos irregulares. O verbo "ter", por exemplo, é irregular. Não segue o modelo:
bebo - tenho
bebes - tens
bebe - tem
bebemos - temos
bebeis - tendes
bebem - têm
Anjo Aurélio explica: Existem também os verbos anômalos - sofrem profundas mudanças (ir - vou, ia, irei, iria, fui), abundantes - têm mais de um particípio (aceito - aceitado) e defectivos - a conjugação é incompleta (reaver - não existe reavejo nem reavenho), pronominais (conjugam-se com pronomes oblíquos - arrepender-se, suicidar-se).
- E como a gente vai saber quando um verbo é irregular?
- Não é complicado. Você vai se acostumando com eles.
Ansioso por novidades, o Tomás Nota olhou em volta.
- Olha! E o que são verbos auxiliares?
- Simples. São os que auxiliam (ajudam) um outro verbo. Quando dois verbos estão juntos, um é o auxiliar, e o outro é o principal. Juntos, eles formam uma locução verbal.
- Sei... Vamos subir mais? - o garoto sugeriu.
- Vamos! Vamos para o terceiro andar aprender como modelar um verbo!
TERCEIRO ANDAR
- Terceiro andar, modelar o verbo! - o maluco do robô falou.
- Como assim, Robô? (perguntou o Tomás Nota)
- Você tem que aprender a modelar o verbo, oras!
E a coisinha falante mostrou para Tomás Nota as três pessoas do discurso.
A primeira, a segunda e a terceira:
1ª 2ª 3ª
Singular Eu Tu Ele
Plural Nós Vós Eles
O Tomás Nota deu um pulo:
- Ah, isso eu sei! A primeira pessoa é quem fala: eu, nós. A segunda é a com quem se fala: tu, vós. E a terceira é a de quem se fala: ele, eles.
O bloquinho queria mostrar ao robô que também era sabido, e continuou:
- E as pessoas do discurso podem estar no plural e no singular. Eu, tu, ele estão no singular, são usados para uma pessoa só. Nós, vós, eles estão no plural, são usados para várias pessoas.
O robô estendeu sua mão mecânica para o Tomás Nota:
- Muito bom! Parabéns - e mandou uma pegadinha para o garoto - E como o tempo muda o verbo?
As bochechas do Tomás Nota ficaram brancas.
- Rá rá! - riu o robô. - Pegadinha...
E foi explicando:
- Existem três tempos: passado, presente e futuro. Entre os verbos, o passado é chamado de pretérito. Então, temos pretérito, presente e futuro.
Pretérito Presente Futuro
Eu mudei Eu mudo Eu mudarei
Eu comi Eu como Eu comerei
Então, o robô pegou as três sacolas dos modos: indicativo, subjuntivo e imperativo. E misturou os tempos lá dentro.
Da sacola do modo indicativo, tirou certezas:
Pretérito perfeito Pretérito imperfeito Pretérito mais-que-perfeito
Eu falei Eu falava Eu falara
Presente Futuro do presente Futuro do pretérito - antigo condicional
Eu falo Eu falarei Eu falaria
E do modo subjuntivo, pescou dúvidas:
Presente Imperfeito Pretérito-mais-que-perfeito Futuro
Que eu fale Se eu falasse Se eu tivesse falado Quando eu falar
Do modo imperativo, mostrou um monte de ordens:
Negativo Afirmativo
Não fales tu Fala tu
Anjo Aurélio explica: O modo imperativo também pode indicar pedido, conselho, súplica, convite ou recomendação.
Depois de mostrar os modos verbais ao Tomás Nota, o robô continuou com suas revelações. De um estojo que guardava na barriga, retirou as três formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio.
Infinitivo Gerúndio Particípio
Falar (impessoal)
Falando Falado
Falar (pessoal)
Falares
Falar
Falarmos
Falardes
Falarem
Ainda havia mais a mostrar. De uma portinha na garganta do robô, saíram as três flexões de voz: voz ativa, voz passiva e voz reflexiva.
Com a voz ativa, o sujeito pratica a ação: Eu molhei o cabelo.
Com a voz passiva, o sujeito recebe a ação: O cabelo foi molhado por mim.
Com a voz reflexiva, o sujeito pratica e recebe a ação: Eu me molhei.
- No quarto andar, eu vou mostrar para você a formação dos tempos, disse o robô, puxando Tomás Nota pela mão.
QUARTO ANDAR
As duas criaturinhas chegaram ao quarto andar. O robô fez sinal para eles se sentarem no chão. E começou a ensinar ao Tomás Nota como foram construídos os tempos verbais:
Existem três tempos primitivos: infinitivo impessoal, presente do indicativo e pretérito perfeito do indicativo... Todos os outros tempos são formados a partir dos primitivos. Por isso, são chamados tempos derivados. Veja este exemplo para verbos terminados em -er:
Primitivos
Pretérito perfeito do indicativo (com-i, com-este, com-eu etc.)
Derivados
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo (com-era, com-eras, com-era etc.)
Pretérito imperfeito do subjuntivo (com-esse, com-esses, com-esse etc.)
Futuro do subjuntivo (com-er, com-eres, com-er etc.)
Infinitivo impessoal (com-er)
Pretérito imperfeito do indicativo (com-ia, com-ias, com-ia etc.)
Futuro do presente do indicativo (com-erei, com-erás, com-erá etc.)
Futuro do pretérito do indicativo (com-eria, com-erias, com-eria etc.)
Infinitivo pessoal (com-er, com-eres, com-es etc.)
Particípio (com-ido)
Gerúndio (com-endo)
Presente do indicativo (com-o)
Presente do subjuntivo (com-a, com-as, com-a etc.)
Imperativo afirmativo (com-e, com-a, com-amos etc.)
Imperativo negativo (com-as, com-a, com-amos etc.)
Pode inventar o verbo que você quiser, esse esquema vai ser o mesmo.
Como a loteria Megra-mática estava acumulada naquela semana, havia muitas palavras querendo fazer suas apostas na Lotérica do Numeral.
Por isso, começaram a organizar a fila:
- Primeira!
- Segunda!
- Terceira!
- Quadragésima-quinta!
Também fizeram senhas para cada uma, assim ninguém furaria a fila. A primeira ganhou a senha com o número um.
A segunda ficou com o número dois.
A terceira, você já sabe.
Já a quadragésima-quinta, coitada, ficou com a senha número quarenta e cinco.
Numerais são palavras que exprimem números
Existem os cardinais, que indicam quantidade: um, dois, três, quarenta e cinco, um milhão etc.
E também existem os ordinais, que indicam uma ordem: primeiro, segundo, terceiro, quadragésimo quinto etc.
Cardinais
Ordinais
Um
Dois
Três
Quatro
Cinco
Seis
Sete
Oito
Nove
Dez
Onze
Doze
Treze
Catorze - ou quatorze
Quinze
Dezoito
Vinte
Vinte e um
Trinta
Quarenta
Cinquenta
Sessenta
Setenta
Oitenta
Noventa
Cem
Cento e um
Duzentos
Trezentos
Quatrocentos
Quinhentos
Seiscentos
Setecentos
Oitocentos
Novecentos
Mil
Primeiro
Segundo
Terceiro
Quarto
Quinto
Sexto
Sétimo
Oitavo
Nono
Décimo
Décimo primeiro
Décimo segundo
Décimo terceiro
Décimo quarto
Décimo quinto
Décimo oitavo
Vigésimo
Vigésimo primeiro
Trigésimo
Quadragésimo
Qüinquagésimo
Sexagésimo
Septuagésimo - ou setuagésimo
Octogésimo
Nonagésimo
Centésimo
Centésimo primeiro
Ducentésimo
Trecentésimo - ou tricentésimo
Quadringentésimo
Quingentésimo
Seiscentésimo - ou sexcentésimo
Septingentésimo - ou setingentésimo
Octingentésimo
Nongentésimo - ou noningentésimo
Milésimo
NUMERAIS MULTIPLICATIVOS E NUMERAIS FRACIONÁRIOS
Veja só:
No começo da fila da lotérica, a primeira, a segunda e a terceira palavra jogavam conversa fora.
- Quanto vocês vão apostar?, perguntou, curiosa, a segunda.
A primeira disse baixinho:
- Um real.
E a segunda, muito exibida, disse bem alto:
- Só isso! Eu vou apostar o dobro!
A chata da terceira, que tinha a senha número três, disse mais alto ainda:
- E eu, vou jogar o triplo: três reais!
- Então - respondeu com ar vitorioso a primeira - Eu vou jogar metade de dois reais e um terço de três reais.
Dica do Anjo Aurélio: "Dobro" quer dizer duas vezes mais. "Triplo" significa três vezes mais. São numerais multiplicativos.
Quando cortamos algo pela "metade", dividimos por dois. "Um terço" quer dizer que uma quantia foi dividida por três.
Numerais multiplicativos indicam multiplicação
Numerais fracionários indicam divisão.
Multiplicativos
Fracionários
(2) Dobro - ou duplo
(3) Triplo - ou tríplice
(4) Quádruplo
(5) Quíntuplo
(6) Sêxtuplo
(7) Sétuplo
(8) Óctuplo
(9) Nônuplo
(10) Décuplo
(11) Undécuplo
(12) Duodécuplo
(100) Cêntuplo
Meio - ou metade
Terço
Quarto
Quinto
Sexto
Sétimo
Oitavo
Nono
Décimo
Onze avos
Doze avos
Centésimo
Ducentésimo
Trecentésimo
Quadringentésimo
Quingentésimo
Sexcentésimo
Setingentésimo
Octingentésimo
Nongentésimo
Milésimo
O Museu das Palavras é um lugar aonde as pessoas vão para conhecer a origem das palavras. E o agitado Tomás Nota, que queria visitar todos os lugares da Cidade da Gramática, entrou lá também, curioso que era.
No meio de uma grande sala chamada MÓVEL, estava em exposição a palavra AUTOMÓVEL. E ao lado havia um monitor, conversando com um grupo de crianças:
- Vocês sabem como as palavras nascem?
- Eu sei!- uma das crianças arriscou. - Elas vêm do pai e da mãe delas.
- Hi, hi, hi, hi - riram as outras, de montão.
O monitor explicou:
- Vocês acharam engraçado, mas é quase isso. - AUTO casou com MÓVEL e aí nasceu AUTOMÓVEL.
- Nossa! - as crianças abriram bocas redondas. E o monitor continuou:
- Para formar esta palavra, um prefixo se juntou a um radical. O prefixo é AUTO e o radical é MÓVEL.
- MMMMMM... - disseram as crianças, sem abrir a boca.
- Vejam o caso da palavra FELIZMENTE.
E as crianças seguiram o monitor até a sala FELIZ.
Nessa sala, as crianças e Tomás Nota vão aprender como se formam as palavras, o que é radical, prefixo e sufixo. Quer dar uma espiadinha?
O monitor pigarreou antes de começar a explicação:
- FELIZMENTE é o resultado do casamento entre o radical FELIZ e o sufixo MENTE.
- E aquela ali?- alguém perguntou.
- Ah, sim. INFELIZMENTE. Neste caso, juntaram-se o prefixo IN, o radical FELIZ e o sufixo MENTE.
- Casamento de três?- espantou-se uma menina.
- He, he, he, he - as crianças espalharam uma risada.
- É que as palavras não são como os seres humanos... vocês já viram gente exposta no museu? - o monitor provocou a criançada.
As palavras são formadas pela reunião de prefixos, sufixos e radicais, ou de dois radicais.
Radical é a parte que não muda na família de palavras.
Prefixo é a parte que vem antes do radical, alterando-lhe o sentido, (in-, contra-, des-, ex-, extra-, pos-, re-, semi-, sub-, super-, ultra-, etc.).
Sufixo é a parte que vem depois do radical, alterando-lhe o sentido (-or, -eiro, -ada, -ose, -ote, -za, -ismo, -ama, -zal, -ado, -ear, -icar, -escer, -izar, -mente, -ecer, etc.).
Na sala MÓVEL, havia outras palavras além de AUTOMÓVEL: imóvel, mobilidade, imobiliária... é uma família de palavras.
Nesta família, todas têm o mesmo radical: MÓVEL. O que muda são os prefixos e sufixos. Com isso, muda o sentido de cada uma.
O mesmo acontece na sala FELIZ. Todas as palavras têm o radical FELIZ:
felizmente, infelizmente, felicidade, felicitar, felicíssimo. Cada uma quer dizer uma coisa diferente, concorda?
Existem várias maneiras de formar palavras. Estas são algumas delas:
Derivação: quando criamos novas palavras a partir de outras que já existem. A derivação pode ocorrer de várias maneiras:
Prefixal - ou prefixação: juntando um prefixo a um radical. BI + CAMPEÃO = BICAMPEÃO
Sufixal - ou sufixação: juntando um sufixo a um radical. RAÇA + ISMO = RACISMO
Prefixal e sufixal: quando juntamos um prefixo e um sufixo a um radical. IN + FELIZ + DADE = INFELICIDADE
Parassintética - ou parassíntese: quando precisamos obrigatoriamente juntar um prefixo e um sufixo a um radical, pois a palavra não existe apenas com um sufixo ou apenas com um prefixo. EN + TARDE + ECER = ENTARDECER
Regressiva: Quando a palavra derivada (VENDA) é menor do que a palavra inicial (VENDER). Também pode ocorrer com substantivos - BOTECO (botequim), BARRACO (barracão).
Imprópria: quando a palavra continua a mesma mais muda de classe gramatical. DEZ (numeral), DEZ (adjetivo). Também é chamada de conversão.
Composição: quando juntamos dois ou mais radicais numa palavra. A composição pode ocorrer por:
Justaposição: quando as palavras unidas não perdem nenhum fonema. PONTA + PÉ = PONTAPÉ
Aglutinação: quando algum fonema é perdido na união das palavras. PLANO + ALTO = PLANALTO.
Hibridismo: quando se usa partes de línguas diferentes para formar uma palavra.
Assim: TELEVISÃO - TELE vem do grego; VISÃO vem do latim.
SAMBÓDROMO - DROMO vem do grego; SAMBA vem do português.
Onomatopéia: é a palavra que procura imitar vozes ou ruídos. TIQUE-TAQUE, ZUNZUM, PIFE-PAFE, RECO-RECO, PINGUE-PONGUE.
Abreviação: é quando reduzimos as palavras mas elas continuam tendo o mesmo sentido. SEU (senhor), PNEU (pneumático), EXPO (exposição), OTORRINO (otorrinolaringologista).
- Oh! Como é alto!
Era realmente de se admirar o Obelisco da Interjeição. Seu topo parecia tocar as nuvens. Tomás Nota ficou de boca aberta, nem reparou que tinha uma garota ao seu lado.
- Ui! Você fica olhando para cima, e pisa no meu pé!
Ela estava realmente brava. Deixou até com vergonha o Tomás Nota:
- Ops... Desculpe!
- Puxa, que sujeito distraído- ela ainda resmungou.
Nosso amigo até foi saindo de fininho, com cara de quem engoliu mosquito.
Procurou um lugar mais tranqüilo para admirar o obelisco.
"Nossa! Como será que o construíram?", pensou, já esquecendo do acidente.
As palavras destacadas são interjeições. Elas existem para exprimir um sentimento ou uma sensação que apareceram de repente.
Admiração: Oh! Nossa!
Vergonha: Ops...
Chateação: Puxa!
Dor: Ui!
Mas o sentimento ou sensação que a interjeição exprime pode variar. Alguém poderia achar um garoto muito bonito, e dizer com admiração: "Que gato! Ai, ai!"
Antônio é um padeiro muito distraído. Ele esquece o nome de tudo! Em frente ao forno, suas mãos vão sovando a massa. De tempos em tempos, o pessoal do balcão ouve um grito:
- Ei! Ficou pronto o...
Mas Antônio esquece o nome. Aí o pessoal grita de volta, para ajudar:
- Pãozinho!
- Bolo!
- Biscoito!
Já reparou que tudo no mundo tem nome? Você tem um nome, que seus pais lhe deram. Você está sentado na... cadeira, olhando para o... computador, com a mão no... nariz! A-há, peguei no flagra!
Substantivo é o nome de cada coisa.
Há várias maneiras de classificar um pãozinho: quanto ao sabor, pode ser doce ou salgado; pelo tamanho, pode ser grande ou pequeno. E também podemos dizer que ele é barato ou caro, se pensarmos no preço!
Do mesmo modo, um substantivo pode ser classificado como comum ou próprio, concreto ou abstrato.
Pão é um substantivo comum e concreto, Antônio é um substantivo próprio, felicidade é um substantivo abstrato. Sabe por quê?
Dê uma
Comum: quando dá nome a uma categoria de seres ou objetos, como pão, padeiro, homem, cadeira, computador, nariz.
OU
Próprio: quando dá nome a um representante em particular da categoria, como Antônio (um homem específico), Brasil (um país em particular). Se você chamasse seu nariz de Roberval, este seria um substantivo próprio.
Concreto: nomes de coisas que não dependem de outra para existir, como biscoito, Antônio, cadeira.
OU
Abstrato: nomes para alguns sentimentos, qualidades e ações, como felicidade, coragem, solidariedade, trabalho.
De acordo com a formação, os substantivos podem ser:
Simples: quando são formados por apenas um radical. Por exemplo, casa, professor, computador.
OU
Composto: quando são formados por dois radicais. Por exemplo, beija-flor, guarda-chuva.
Derivado: quando são formados por outras palavras, como padeiro (vem de pão), escolar (vem de escola), dentista (vem de dente)
OU
Primitivo: quando não derivam de outras palavras, como pão, escola, dente.
Agora, repare que um mesmo substantivo pode ser comum, concreto, simples e derivado, como... padaria!
Você sabia que os substantivos também têm gênero, número e grau?
Gênero e Número dos Substantivos
A padaria do Antônio tem tantos substantivos gostosos que fica difícil escolher qual comprar. Aqui vão algumas dicas:
Dica 1: Você prefere palavras do gênero feminino ou masculino? Se você prefere as do gênero feminino, leve a rosquinha, a baguete ou um pedaço da pizza de mussarela.
Compre o bolo, o pão-de-ló ou peça 100 gramas do salame, se você gosta mais das palavras do gênero masculino.
Dica 2: Você gosta mais de palavras no singular ou no plural? Se escolheu singular, leve apenas um item de cada coisa: uma baguete, um bolo ou um pão-de-ló.
Mas se você prefere o plural compre sempre mais de um item: três baguetes, cinco bolos, dois pães-de-ló.
Você percebeu que as palavras podem estar no gênero feminino ou no gênero masculino? É só prestarmos atenção no artigo: “A rosquinha” é uma palavra feminina, “o bolo” é uma palavra masculina. No entanto, existem palavras que podem ter os dois gêneros: o menino, a menina; o gato, a gata; o juiz, a juíza; o barão, a baronesa; o conde, a condessa.
Anjo Aurélio explica: O substantivo pode ser sobrecomum (a vítima, a testemunha), comum de dois (intérprete, repórter, patriota) ou epiceno (cobra, tatu, mosca)
O número do substantivo é singular, com apenas um item, ou plural, com dois ou mais itens. Geralmente a gente percebe que a palavra está no plural pois vemos sempre um “s”, no final: bolo, bolos; pão, pães.
Para você entender tudo de substantivos, só falta conhecer o grau deles!
Grau dos Substantivos
Não é preciso termômetro para medir o grau dos substantivos, não! O que você precisa perceber é se a palavra está normal, no diminutivo ou no aumentativo, ou seja, um copo d’água, um copinho d’água ou um copázio d’água?
A gente pode indicar o tamanho daquilo que estamos falando de duas formas:
Analítica: Pedimos ajuda aos adjetivos. (casa grande, casa pequena)
Sintética: Pedimos ajuda aos sufixos (-arão: casarão, -inha: casinha)
Dê só uma olhada nos sufixos mais comuns para criar
Aumentativos:
-aça: barcaça
-aço: balaço
-alha: gentalha, muralha
-ão: povão
-alhão: medalhão, bobalhão
-arão: casarão
-zarrão: homenzarrão
-eirão: vozeirão
-zão: pezão
-arra: bocarra
-ázio: copázio
-ona: mulherona
-orra: manzorra
-uça: dentuça
-aréu: fogaréu
Diminutivos:
-acho: riacho
-eco: jornaleco
-ejo: vilarejo
-eta: saleta, caderneta
-ico: namorico
-inho: livrinho
-inha: casinha
-zinho: irmãozinho
-zinha: irmãzinha
-ito: mosquito
-oca: engenhoca
-ote: caixote, serrote
-ulo: glóbulo
-ula: célula
Substantivos Coletivos
Existem substantivos que designam um conjunto de seres da mesma espécie. São chamados de coletivos. Em vez de dizer “obras de arte”, você pode dizer “acervo”. Use “arquipélago” no lugar de “ilhas”. Você percebeu como as palavras passam do plural (obras de arte) para o singular (acervo)?
Os substantivos coletivos podem ser de três tipos:
Específicos: o coletivo é próprio de uma espécie (matilha – apenas para designar “cães”)
Indeterminados: o coletivo pode ser usado para diversas espécies (bando – de crianças, de aves)
Numéricos: o coletivo exprime um número exato de seres (dezena, dúzia, século, novena, semestre)
Veja alguns coletivos:
Acervo: obras de arte
Álbum: retratos, autógrafos, selos
Alcatéia: lobos
Antologia: textos
Arquipélago: ilhas
Arsenal: armas
Assembléia: de parlamentares, de membros de qualquer associação
Atlas: mapas
Buquê: flores
Cacho: bananas, uvas
Cáfila: camelos
Cardume: peixes
Coletânea: textos, canções
Colméia: abelhas
Constelação: estrelas
Cordilheira: montanhas
Discoteca: discos
Elenco: atores
Enxame: abelhas, marimbondos, vespas
Esquadra: navios
Esquadrilha: aviões
Exército: soldados
Fauna: animais
Flora: plantas ou vegetais
Fornada: pães
Frota: navios
Junta: médicos, examinadores
Júri: jurados
Molho: chaves
Nuvem: gafanhotos
Pinacoteca: quadros
Prole: filhos
Quadrilha: ladrões, bandidos
Ramalhete: flores
Rebanho: bois, carneiros, cabras
Réstia: cebolas, alhos
Tripulação: marinheiros ou aviadores
Tropa: soldados, animais de carga
Vara: porcos
- Que lugar cheiroso! - disse Tomás Nota, ao entrar na Perfumaria dos Adjetivos.
- Muito obrigado! - respondeu o perfumista. Escolha um perfume gostoso! Com qual cheiro você quer ficar?
- Não sei...
- Experimente um perfume floral! Você ficará com cheiro de roseiral. Ou um perfume francês... vai fazer o maior sucesso!
- Que perfume caro!
- Ah! Você é um sujeito avaro*... Por que você não experimenta aquele perfume azul-marinho? É mais baratinho. Tem também com aroma de melancia, o preferido da minha tia.
"Mas por que esse sujeito rima tanto?", pensou Tomás Nota. E chegou à seguinte conclusão: "Melhor um perfumista poético do que um perfumista ranzinza".
* Anjo Aurélio explica: "Avaro é uma pessoa do sexo masculino que não gosta de gastar dinheiro".
Dê uma olhada nas palavras destacadas.
Todas são adjetivos.
O adjetivo sempre dá uma qualidade ao substantivo. Por isso, geralmente um está pertinho do outro. Veja como um mesmo substantivo pode ganhar diferentes qualidades, de acordo com o adjetivo que o acompanha:
Perfume gostoso Perfume caro Perfume azul-marinho
Substantivo/ Adjetivo Substantivo/ Adjetivo Substantivo/ Adjetivo
Cada adjetivo dá uma qualidade diferente ao substantivo. Do mesmo modo que uma pessoa pode ter vários perfumes... mesmo que só use um de cada vez.
Vamos classificar alguns adjetivos da perfumaria?
Os adjetivos podem ser simples, quando são formados por uma só palavra.
Ou podem ser compostos, quando duas palavras os compõem.
Simples: cheiroso, francês, avaro, poético
Compostos: azul-marinho, mal-humorado
Por outro lado, podem ser derivados, quando são formados a partir de outra palavra.
Ou podem ser primitivos, quando não derivam de nenhuma palavra.
Primitivos: avaro
Derivados: cheiroso (vem de "cheiro"), francês (vem de "França"), mal-humorado (vem de "mau humor")
Como você deve ter reparado, os adjetivos podem ser, ao mesmo tempo, simples e primitivos, ou simples e derivados. Também podem ser compostos e derivados.
Os adjetivos também podem variar quanto ao gênero, número e grau.
Gênero: masculino/ feminino. Por exemplo: Que garoto cheiroso/ Que garota cheirosa.
Número: singular/ plural. Exemplo: Que cachorro cheiroso/ que cachorros cheirosos.
Grau: comparativo: que pode ser de igualdade, superioridade ou inferioridade/ superlativo: absoluto ou relativo. Observe:
Esse perfume é tão cheiroso quanto aquele. (Isso é uma comparação de igualdade)
Este perfume é mais cheiroso que aquele. (Isso é uma comparação de superioridade)
Este perfume é menos cheiroso do aquele (Isso é uma comparação de inferioridade)
Este perfume é cheirosíssimo. Este perfume é muito cheiroso. (O superlativo absoluto é um adjetivo que não está comparando duas coisas)
Este perfume é o mais caro de todos. (O superlativo relativo compara duas coisas)
Veja aqui alguns superlativos absolutos:
Ágil: agílimo
Agradável: agradabilíssimo
Amigo: amicíssimo
Capaz: capacíssimo
Célebre: celebérrimo
Cru: cruíssimo
Doce: dulcíssimo
Fácil: facílimo
Fiel: fidelíssimo
Frio: frigidíssimo
Livre: libérrimo
Magro: macérrimo
Simples: simplicíssimo
Terrível: terribilíssimo
Veloz: velocíssimo
Quando a qualidade do substantivo não cabe numa só palavra, acontece a locução adjetiva.
Podemos dizer perfume de flores, em vez de perfume floral. "De flores" é uma locução adjetiva.
Do mesmo modo, quando usamos perfume da França em vez de perfume francês, temos uma locução adjetiva.
Anjo Aurélio explica: O adjetivo pode ser explicativo - qualidade que faz parte do ser (gelo frio, fogo quente) ou restritivo - qualidade acidental (homem educado)
Adjetivos Pátrios
O adjetivo pátrio identifica de que lugar é a pessoa, o animal ou o objeto de que se está falando.
Assim: “Perfume francês” (da França). “A carioca Sasha posou para fotos”.
(Carioca é um adjetivo que mostra que o substantivo Sasha nasceu na cidade do Rio de Janeiro)
Você conhece todos os adjetivos pátrios dos Estados do Brasil? Anote aí:
Quem nasce no Rio de Janeiro é fluminense;
Quem nasce em Minas Gerais é mineiro;
Quem nasce em São Paulo é paulista;
Quem nasce no Paraná é paranaense;
Quem nasce em Santa Catarina é catarinense, barriga-verde;
Quem nasce no Rio Grande do Sul é gaúcho, rio-grandense-do-sul;
Quem nasce no Espírito Santo é capixaba ou espírito-santense;
Quem nasce no Mato Grosso do Sul é mato-grossense-do-sul, sul-mato-grossense;
Quem nasce no Mato Grosso é mato-grossense;
Quem nasce em Goiás é goiano;
Quem nasce na Bahia é baiano;
Quem nasce em Sergipe é sergipano;
Quem nasce em Alagoas é alagoano;
Quem nasce em Pernambuco é pernambucano;
Quem nasce na Paraíba é paraibano;
Quem nasce no Rio Grande do Norte é potiguar, rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense;
Quem nasce no Ceará é cearense;
Quem nasce no Piauí é piauiense;
Quem nasce no Maranhão é maranhense;
Quem nasce em Rondônia é rondoniense, rondoniano;
Quem nasce no Acre é acreano, acriano;
Quem nasce no Amazonas é amazonense;
Quem nasce em Roraima é roraimense;
Quem nasce no Pará é paraense;
Quem nasce no Amapá é amapaense;
Quem nasce no Tocantins é tocantinense.
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
Viagem à Gramática - Bairro da Morfologia
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