quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Viagem à Gramática - Largo da Sintaxe

 O guloso Tomás Nota estava muito interessado em comer um brigadeiro. E foi fazer uma tentativa na Barraca Nominal.
-Você tem um brigadeiro gostoso para mim?
- Gostoso... É uma qualidade do brigadeiro. Se "brigadeiro" é objeto direto, "gostoso" é o predicativo do objeto - respondeu o dono da Barraca Nominal, que era irmão do dono da Barraca Verbal.
- E daí? Eu estou ficando desesperado por um brigadeiro!
- Desesperado... isso é uma qualidade do sujeito "eu". Ou seja, é o predicativo do sujeito.

O dono da Barraca Nominal continuou:
- Desesperado por um brigadeiro... isso me lembra de uma coisa: "por um brigadeiro" é um complemento para "desesperado".

Ele estava judiando do pobre Tomás Nota. Mas o que dizia era verdade: quem está desesperado, está desesperado por algum motivo. Então "por um brigadeiro" é o complemento para "desesperado". Como complementa "desesperado", que é um nome, "por um brigadeiro" é um complemento nominal.

Anjo Aurélio explica: O complemento nominal pode se referir a substantivo (Tenho medo de trovão), adjetivo (Estou certo da verdade) e advérbio (Moro perto da igreja / Agiu contrariamente ao réu)

Tomás Nota começou a perder a paciência... e o dono da Barra Nominal aproveitou para explicar o que era adjunto adnominal e aposto. Aposto que você não conhece!


Pois é... mas Tomás Nota continuava com água na boca por causa do tal brigadeiro gostoso...
- Eu hein?! - protestou o bloquinho. - Não adianta procurar brigadeiro na Cidade da Gramática, onde só tem palavras!
E o dono da Barraca Nominal não perdeu tempo:
-Veja que "na Cidade da Gramática" está junto de "brigadeiro", modificando-o. Como "brigadeiro" é um nome, "na Cidade da Gramática" é... um adjunto adnominal.

- E qual é a diferença entre um complemento nominal e um adjunto adnominal? - perguntou Tomás, curioso, já que tinha desistido de comer o doce.
- É uma boa pergunta. Repare: o nome que está sendo modificado é "brigadeiro". Podemos usar vários adjuntos adnominais para ele, como doce, grandão, delicioso. Mas se dissermos apenas o nome "brigadeiro", já dá para entender tudo. O complemento nominal, por sua vez, é necessário para completar o sentido de um nome.

Voltando a fita: "Não adianta procurar brigadeiro na Cidade da Gramática, onde só tem palavras".
Se você prestar atenção, no final da oração acima há um termo explicativo. Ele está explicando o nome Cidade da Gramática.
É um aposto: um termo que explica, desenvolve, identifica, resume ou compara um nome usado na oração.

- Eu quero...
- O quê? Quem quer, quer alguma coisa.
- Eu quero um brigadeiro.
Mal tinha começado a conversa entre o dono da Barraca Verbal e Tomás Nota, já chegou alguém para interromper.
(Sussurros):
- Ei, você está sabendo? - perguntou a pessoa que interrompeu.
- De quê? Minha filha, quem sabe, sabe de alguma coisa - sussurrou de volta o dono da Barraca Verbal.
- Ah, deixa para lá.

Apesar de parecer distraído, o que o dono da Barraca Verbal queria mostrar para as pessoas é que muitos verbos precisam de complementos. Por isso, são chamados de verbos transitivos.

Quando o verbo pede um complemento que tem preposição ("de alguma coisa"), é chamado de transitivo indireto. Quando o complemento não tem preposição ("alguma coisa"), o verbo é transitivo direto.
E assim, os complementos são chamados de objeto direto e objeto indireto. "Eu quero um brigadeiro"
Eu = sujeito
quero um brigadeiro = predicado
quero = verbo transitivo direto
um brigadeiro = objeto direto

Ah, mas não é só isso. Tomás Nota também descobriu tudo sobre a voz passiva e os adjuntos adverbiais. Sabe como?

VOZ PASSIVA e ADJUNTOS ADVERBIAIS

Era insistente esse Tomás Nota...
- Eu desejo aquele brigadeiro.
- Que foi, meu filho?
- Aquele brigadeiro é desejado por mim.
- Ah, meu filho, este brigadeiro só está aqui para servir de exemplo...
Sem perceber, Tomás Nota usou o agente da voz passiva.
Em uma oração, o verbo pode estar na voz ativa ("desejo") ou na voz passiva ("é desejado").
"Eu desejo aquele brigadeiro" (voz ativa)
Sujeito = Eu
O agente da passiva corresponde ao sujeito na voz ativa.
"Aquele brigadeiro é desejado por mim"(voz passiva)
Agente da passiva = por mim

- Eu queria muito aquele doce! - lamentou Tomás Nota.
- Você queria mesmo? Sinto muito! - disse o dono da Barraca Verbal, fingindo tristeza.
No trecho acima, estão destacadas algumas palavras que vêm junto do verbo, modificando-o
São os adjuntos adverbiais.
Eles são advérbios que vieram do Bairro da Morfologia e, no Largo da Sintaxe, tornaram-se adjuntos adverbiais.

Na entrada da Pensão do Sujeito, Tomás Nota encontrou uma placa:

"A gente sempre está falando alguma coisa sobre alguém...
Aquela menina é minha vizinha
Eu e meu tigre não queremos ir à escola.
Você sabe do que eu estou falando
 ...esse alguém é o sujeito!"

"Muito explicativo", pensou Tomás Nota.

Quarto Simples

- Ei, vem cá!
Era Mané Sujeito que estava chamando.
- Vem conhecer a Pensão do Sujeito. Vem, vem.
E Tomás Nota seguiu Mané Sujeito. Como era no período da tarde, todos os sujeitos tinham ido trabalhar na construção de orações.
 

No corredor da pensão havia várias portas. A primeira se abriu, e mostrou um quarto que só tinha uma cama. Mané Sujeito sussurrou:
- Este é o quarto simples. Aqui dorme o sujeito simples.
Havia algumas orações nas paredes, em folhinhas penduradas:
"Jorge machucou as mãos."
"A noite está fria."
"O corcunda é esquisito e amável."
- Está vendo? São orações que o sujeito simples ajudou a construir. Vamos olhar o quarto do sujeito composto, onde eu vou lhe contar um segredo.

Quarto composto

E o amável Mané Sujeito abriu outra porta. Lá dentro, várias camas.
- Este é o quarto composto - adivinhou Tomás Nota, onde dorme o sujeito composto.

Os olhos de Mané Sujeito brilharam.
- Exatamente. Agora olhe nas paredes.

Havia orações bem diferentes do que as penduradas no quarto do sujeito simples.
"Júpiter, Vênus e Marte são planetas do sistema solar."
"A mochila e os livros não cabem juntos na estante."
"Café e carros soltam fumaça."

Mané Sujeito começou a pular na frente de Tomás Nota, dizendo:
- Este é o segredo!
Acalmou-se e continuou:
- Existe um núcleo do sujeito! Júpiter, Vênus, Marte: são vários núcleos para um só sujeito. Não é possível haver dois sujeitos numa oração.
Ele ainda acrescentou, depois de uma piscadinha:
- O sujeito simples só tem um núcleo: "Jorge", "noite", "corcunda". O sujeito composto tem vários núcleos: "mochila, livros", "café, carros", "Júpiter, Vênus, Marte".
Depois disso, continuaram o passeio pela Pensão do Sujeito. Mais um mistério seria revelado por Mané Sujeito.

Quarto Oculto

Na parede do corredor havia um quadro. O Mané Sujeito moveu o quadro, e abriu-se na parede uma passagem secreta.
- Oh! Tomás Nota ficou de queixo caído. Seus olhos arregalados falavam por ele.
- Aqui é o quarto oculto, onde dorme o sujeito oculto - foi explicando Mané Sujeito- Ele se esconde, mas sempre descobrimos quem ele é.
Em papéis jogados debaixo da cama, dava para ler as orações:
"Estou apaixonado."
"Descobrimos o segredo."
"Nunca disseste a verdade."
Mané Sujeito garantiu:
- É fácil descobrir o sujeito dessas orações.
Era um desafio para Tomás Nota, que matutou um pouco e mandou:
- Eu... "estou apaixonado". Este é o sujeito implícito: eu.
- Nós... "descobrimos o segredo". Sujeito implícito: nós.
- Tu... "nunca disseste a verdade". O sujeito implícito é: tu.
E prosseguiram o passeio.

Quarto indeterminado

- Este é o Quarto Indeterminado. Aqui dorme o sujeito indeterminado. Você nunca vai poder dizer quem é ele. Ou eles... - Mané Sujeito disse baixinho, com ar enigmático.
Havia orações rabiscadas em papéis espalhados pelo chão.
"Quebraram o vaso."
"Procura-se profissional com experiência."

- Quem quebrou o vaso, hein? Quem procura profissional com experiência, hein?
Hein, hein?- ficou repetindo Mané Sujeito, cutucando o umbigo de Tomás Nota, que gritou:
- Não sei! Não fui eu! Eles! Alguém!
- Eles quem?- Mané Sujeito fez cara de inspetor de alunos.
- Não sei! Sujeito indeterminado!
- Isso mesmo! Agora, quero ver sua cara quando você conhecer o sujeito inexistente.

Quarto Inexistente

E abriu a porta do corredor. A porta não dava para lugar nenhum. Era o quarto inexistente.
- Aqui mora o sujeito inexistente - completou nosso anfitrião.
Na porta do quarto inexistente, algumas anotações:
"Choveu ontem."
"Há tempos que você não aparece."
"São seis e meia."
- Os verbos dessas orações são impessoais - segredou Mané Sujeito. Não admitem sujeito. São orações com sujeito inexistente: haver - existir, acontecer, realizar ou tempo passado, fazer e estar - tempo ou clima, ser - tempo, hora, data e distância, fenômenos da natureza - chover, nevar, trovejar, ventar.

Os alto-falantes da Rádio Vocativo espalhavam uma marchinha pelo Largo da Sintaxe:

"Ei! Você aí! Me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!" E o locutor começava a falar, com sua voz de trombeta:

- Meus caros ouvintes, boa tarde!

- Dona Tereza, está na hora de pôr a mesa! Deixe a menina em paz, moleque travesso! Amigos, a Rádio Vocativo está no ar...

Então vieram os comerciais.

"Ei, você aí, compre Vocativo! Ele não tem função sintática, mas é uma expressão que serve para chamar alguém.

E você sempre precisa chamar alguém, não é?

- Manhê, o computador pifou!!!"

As palavras destacadas são vocativos.

Na análise sintática, tudo o que não é sujeito, é predicado. Por exemplo: "Tomás Nota queria comer alguma coisa". "Tomás Nota", como você sabe, é um sujeito simples. E "queria comer alguma coisa" é o predicado. Dentro do predicado é possível encontrar verbos e objetos.

Os verbos podem ser:

Transitivos Diretos, quando necessitam de um complemento sem preposição. Na oração “Tomás pediu”, não dá vontade de saber o que ele pediu?  Então, isto ocorre porque o verbo “pedir” é Transitivo Direto e a resposta desta pergunta é o Objeto Direto, “o cardápio”. “Tomás pediu o cardápio”.

Transitivos Indiretos, quando necessitam de um complemento com preposição. Na oração “Tomás acredita”, queremos saber em quem ele acredita. Com certeza, Tomás acredita em algo com preposição e “no garçom” é o Objeto Indireto da frase. “Tomás acredita no garçom”.

Intransitivos, quando não necessitam de complemento. “Ontem choveu”, “As folhas caem”, “ Maria chegou”.

De ligação, quando expressam estado, ligam o sujeito a uma característica deste mesmo sujeito. “Tomás é guloso”, “Tomás está faminto”.

O garçom ouviu a seguinte pergunta do nosso amigo:
- O que você tem aí para um sujeito como eu?
- Temos predicado verbal, predicado nominal e predicado verbo-nominal- respondeu o garçom.
Apesar de ser um sujeito simples, Tomás Nota era guloso:
- Quero todos.

O garçom se apressou para atender o faminto cliente, mas antes resolveu explicar o que viria no cardápio:

- O espeto verbal vem com orações com predicado verbal. O espeto nominal, que também está uma delícia, tem orações com predicado nominal. Mais gostosos ainda são os predicados verbo-nominais, que serão servidos em uma bandeja.


Hummm, você não gostaria de provar essas gostosuras agora?

Espeto verbal
As orações com predicado verbal vieram num espeto:
"Tomás Nota quer comer de tudo".
"Nevou no sul".
"Os noivos chegaram ao altar".
Estas orações têm o verbo como núcleo. Esses verbos exprimem ações, ou fenômenos naturais: "chegaram", "nevou", "quer comer" (locução verbal).

Espeto nominal
Num outro espeto, vieram os predicados nominais. Estes predicados sempre trazem uma qualidade do sujeito.
"Tomás Nota é guloso".
"Eu estou faminto".
"Continua nervosa essa Cláudia".

"Guloso" é uma qualidade do "Tomás Nota". "Faminto" é uma qualidade do sujeito "Eu". E "nervosa" é uma qualidade do sujeito "Cláudia".

Estas qualidades têm um apelido: predicativo do sujeito.

- Os verbos dos predicados nominais são chamados de verbos de ligação- explicou o distinto garçom. Como os verbos ser e estar, que sempre exprimem uma qualidade do sujeito.

Bandeja verbo-nominal
Numa bandeja, o garçom trouxe os predicados verbo-nominais.
- Estes predicados têm sempre um predicativo e um verbo que não é de ligação.

Experimente:
"Onofre chegou exausto"
"Seu desempenho foi considerado excelente".
"Ernesto deu a Marilene um lindo coelho"

Se você é muito observador, pode ter reparado que o predicativo da última frase não pertence ao sujeito.

- Como é mesmo?, perguntou o distraído. Observe:

Ernesto= sujeito
Deu a Marilene um lindo coelho= predicado
Deu= Verbo dar (ação)
A Marilene= Objeto Indireto
Um lindo coelho= Objeto Direto

E qual é o predicativo nesta oração?
"Lindo"! É a qualidade do coelho.

Tem um nome para isso - predicativo do objeto: Considero você inteligente.

Vozes do Verbo

A voz ativa de um verbo ocorre quando o sujeito da oração é aquele que executa a ação do verbo.

“Tomás pagou a conta”. (Nesta frase é o sujeito Tomás que pagou a conta, é ele quem executa a ação. Tomás é o sujeito agente e o verbo está na voz ativa).

A voz passiva de um verbo ocorre quando o sujeito da oração recebe a ação expressa pelo verbo.

“A conta foi paga por Tomás”.  (Nesta frase o verbo está na voz passiva, pois o sujeito é “a conta” que não pagou, não executou a ação, mas foi paga, recebeu a ação expressa pelo verbo. Assim, “a conta” é sujeito paciente).

*Anjo Aurélio dá uma dica: Para o verbo estar na voz passiva, ele precisa ter um verbo auxiliar e um verbo no particípio ou ser um verbo transitivo direto acompanhado do pronome “se”.

“A casa foi vendida” = verbo auxiliar (foi) + verbo no particípio (vendida) = Voz passiva analítica.
“Vende-se casa” = verbo transitivo direto (vender) + pronome (se) = Voz passiva sintética.

 

O verbo ainda pode ter voz reflexiva. É quando o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo.

“Ela vestiu-se depressa.”
“Eu me esqueci de telefonar.”

Ela pode também ser recíproca (ação que recai sobre cada um dos sujeitos): Os dois se cumprimentaram.

Período Composto: Coordenação e Subordinação

Quando temos duas orações que estão ligadas, temos um período composto.
Estas orações podem ligar-se por Coordenação (quando as frases estão juntas, mas são independentes umas das outras e por Subordinação (quando uma frase depende da outra).

Coordenação

As orações coordenadas podem ser assindéticas quando não estão ligadas por conectivos (e, mas, que).
Exemplo: “Chegou, sentou-se, ligou a televisão”.
As orações coordenadas são sindéticas quando estão ligadas por conectivos.
Exemplo: “Ando e procuro minha moeda”.

Estas orações coordenadas sindéticas ainda podem dividir-se em:

Aditivas: dão idéia de soma. “Ela lia o texto e sublinhava o importante”.
Adversativas: dão idéia de oposição. “Ela leu o texto, mas não sublinhou o importante”.
Alternativas: dão idéia de alternância. “Estude, ou assista a TV”.
Explicativas: dão explicação. “Estudarei muito, pois esta prova será difícil”.
Conclusivas: dão idéia de conclusão. “Estudei muito, portanto farei a prova com tranquilidade”.

 

Subordinação

Uma oração subordinada pode ser:
Substantiva Subjetiva: funciona como sujeito de um verbo que está na terceira pessoa do singular ou de um verbo que está na voz passiva.
É necessário que todos venham à aula amanhã.
Parece que Carlos está doente.
Foi decidido que não haverá aula amanhã.

Substantiva Objetiva Direta: toda a oração funciona como objeto direto do verbo da oração principal.
A professora esperava que nenhum aluno faltasse.
A professora explicou que amanhã não haverá aula.

Substantiva Objetiva Indireta: toda a oração funciona como objeto indireto do verbo da oração principal.
Os alunos precisavam que a professora desse mais explicações.

Substantiva Completiva Nominal: funciona como complemento nominal de algum substantivo, adjetivo ou advérbio da oração principal.
Ela tinha certeza que ganharia uma bicicleta.

Anjo Aurélio dá uma dica: para que seja complemento nominal, o substantivo deve ser abstrato.

Substantiva Predicativa: funciona como predicativo do sujeito da oração principal que possui verbo de ligação.
Meu desejo é que você vença este campeonato.

Substantiva Apositiva: funciona como aposto da oração principal.
Meu desejo é este: que você ganhe este campeonato.

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Adjetiva Restritiva: funciona como um adjetivo que restringe o sentido da palavra a que se referem.
Os garotos que estudam pouco tiram notas baixas. (Alguns garotos estudam pouco)

Adjetiva Explicativa: funciona como um adjetivo que explica um termo.
Os garotos, que estudam pouco, tiram notas baixas. (Todos os garotos estudam pouco.)

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Adverbial Temporal: dá idéia de tempo. Inicia-se por: quando, logo que, até que, sempre que, enquanto, assim que, desde que, antes que, depois que, mal, etc.
Assim que eu saí, ele chegou.

Adverbial Causal: mostra a causa da oração principal. Inicia-se por: porque, visto que, já que, uma vez que, como, na medida em que.
Ele ganhou o emprego porque foi o melhor entrevistado.

Adverbial Condicional: dá idéia de condição para a oração principal poder ser realizada. Inicia-se por: se, caso, desde que, contanto que, a menos que, a não ser que, sem que, etc.
Eu chegaria na hora marcada, se meu carro não quebrasse.

Adverbial Proporcional: dá idéia de um fato que ocorreu ao mesmo tempo da oração principal. Inicia-se por: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
Joana acelerava o passo à medida que a chuva aumentava.

Adverbial Final: mostra a finalidade, o objetivo, da oração principal. Inicia-se por: a fim de que, para que.
Joana correu da chuva para que não ficasse encharcada.

Adverbial Consecutiva: mostra a consequência da oração principal. Inicia-se por: tão... que, tal... que, tanto... que, tamanho... que, de maneira que, de modo que, de forma que, de sorte que.
Estudamos tanto que tiramos nota dez na prova de Matemática.

Adverbial Conformativa: dá idéia de conformidade com o que está sendo dito na oração principal. Inicia-se por: conforme, como, segundo, consoante.
A festa foi incrível conforme imaginávamos.

Adverbial Concessiva: exprimem idéia contrária ao que é dito na oração principal. Apesar desse fato se opor, ele não interfere no conteúdo. Inicia-se por: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, apesar de que, se bem que, nem que, etc.
A festa foi incrível, por mais que tenha terminado cedo.

Adverbial Comparativa: exprimem comparação com a oração principal. Inicia-se por: como, bem como, assim como, mais... (do) que, menos... (do) que, tão... quanto/como, tanto... quanto/como, etc.
A prova de Português foi tão difícil quanto a de matemática. 

Viagem à Gramática - Vila Fonética

 "Rakel atrazará oje",
dizia o cartaz na porta do Cartório da Fonética.
"Que estranho!", pensou Tomás Nota. "A frase toda está escrita de um modo errado, mas o som das palavras é igual ao certo!"

Realmente o cartaz tem muitos erros, mas muita gente comete este tipo de engano: escrever as palavras do jeito como se escuta.
Isso acontece porque muitos desconhecem a diferença entre letras e fonemas.
Quando você aprendeu a ler e a escrever, a professora lhe ensinou que as palavras são formadas por letras. A + z + u + l = azul.
E antes de aprender a escrever, do que eram formadas as palavras? De sons! E como é formado o som de "azul"?

Experimento 1
Fale "azul" beeeeeeeem devagarinho. Como se você estivesse com muito sono.
Tem o som do "aaaaaa", o som do "zzzzzzzzzz", do "uuuuuuuu" e do "llllllll".
Cada som de uma palavra é um fonema.
A letra é a representação do som na hora de escrever.

Mas espere aí! Isso não é tudo!

Experimento 2
Repita o experimento 1, agora com a frase "Raquel atrasará hoje". (Lembre-se de falar com sono.)
"Raquel" não tem som de "Rakel"?
É porque as letras "q" e "u", quando vêm juntas e antes de "e" ou "i", ficam com som de "k".
Mas naum é pur isso ki a genti vai sair iscrevendo errado, naum é?

Em "atrasará", repare que o "s" tem o mesmo som que o "z" de "azul".
Na palavra "hoje", temos quatro letras, mas só três sons (fonemas). É porque o "h", no começo da palavra, não tem som.

Fonema = som
Letra = representação gráfica
Portanto, fonema é diferente de letra.

As luzes se apagaram, e todos seguraram firme no balde de pipocas; o filme ia começar.
Mas não começou! E continuou escuro...
Lá na frente, um pessoal ficou chateado, e abriu bem a boca para dizer:
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Aí todos fizeram biquinho e deram uma grande vaia:
- Uuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
Tomás Nota começou a ficar irritado com as pessoas do cinema.
- Que droga! Vocês só sabem usar vogais? Existem consoantes também!

Realmente, o simpático bloquinho de notas está certo. Mas ele não sabe de uma coisa: além de consoantes e vogais, existem as semivogais.

Os fonemas podem ser classificados em vogais, semivogais e consoantes.

Você não sabe o que é fonema? Os fonemas são os sons que formam as palavras. A gente escreve com letras, mas fala com fonemas.
Por exemplo, para falar uma vogal ou uma semivogal, deixamos o ar sair livremente pela boca.

Você quer experimentar pra ver como é? Então, prepare-se!

Tudo pronto para começar a experiência? Então abra bem a boca:

EXPERIMENTO ALFA: a e i o u...

Perceba agora a diferença entre vogais e semivogais.

EXPERIMENTO BETA: Pronuncie separadamente as palavras "pai e "aí":
- Pai!
- Aí!

A pronúncia é diferente. Em "pai" a gente fala o "a" bem forte e o "i" fraquinho.
Então, nesse caso "a" é vogal, e o "i" é semivogal.
Já em "aí", o "i" é tão forte quanto o "a". Os dois são vogais.
Vogais têm som forte, semivogais têm som fraco.

- Mãe!
Quantas vezes você fala a palavra "mãe" por dia? Note agora que o "a" de mãe é diferente do "a" de pai...
No "a" de mãe a gente também usa o nariz para falar.

EXPERIMENTO GAMA: Coloque o dedo no nariz. Quer dizer, em cima, não dentro. Agora diga "pai". Não aconteceu nada, não é?
Agora diga "mãe". Sentiu uma vibração? É porque usamos o nariz para ajudar a falar algumas vogais, e em outras só usamos a boca.
As vogais podem ser orais ou nasais.

EXPERIMENTO DELTA: Abra bem a boca. Diga "a", com a boca aberta, como no dentista.
Está se achando meio bobo?
Não ligue. Pronuncie a palavra "cavalo".
Reparou que os "aa" dessa palavra são ditos com a boca bem aberta? No entanto, o "o" saiu meio fechado.
Existem vogais abertas e fechadas.

- A-tchim!
Um grande espirro na porta da Farmácia da Tonicidade.
- Você pode me ajudar? - perguntou Tomás Nota, meio gripado, ao atendente da farmácia.
O atendente se apressou em lhe dizer:
- Sim, é claro. A sílaba tônica de "atchim" é "tchim". Foi a que você pronunciou com mais força.
- Você não entendeu - o bloquinho tentou explicar. - Eu estou falando de remédio.
- Re-mé-dio? - soletrou o atendente. - O "mé" é claramente a sílaba mais forte. Sílaba tônica.
Quem não estava entendendo nada era o Tomás Nota.
- Sílaba o quê?
- Tô-ni-ca. Nessa palavra, por exemplo, a gente fala "tô" com mais força que as outras sílabas...

As sílabas não são todas iguais. Em cada palavra, há sempre uma que a gente pronuncia com mais força.

Em "a-tchim", a sílaba mais forte é a última. Por isso, a palavra é chamada de OXÍTONA (talvez). Quando a mais forte é a penúltima, temos uma PAROXÍTONA (mesa). E se a sílaba tônica é a antepenúltima, a palavra é PROPAROXÍTONA (médico).


Tudo bem até aí, mas como ficam as palavras de uma sílaba só, os famosos monossílabos?

EXPERIMENTO X: Diga "Este é o pé que está doendo". Observe as palavras "pé" e "que".
As duas são monossílabas. Mas soam de modo diferente, não é? "Pé" tem som forte e "que" tem pronúncia suave.
Existem os MONOSSÍLABOS TÔNICOS (fortes) e os MONOSSÍLABOS ÁTONOS (fracos).

São monossílabos tônicos: pé, chá, sol, entre outros.
Em, o, que são exemplos de monossílabos átonos.

Todos os dias as letras se encontravam na sorveteria. Era uma verdadeira folia de vogais, semivogais e consoantes.
- Quais sabores?
- Baunilha... cupuaçu...
- Três de creme!
"Engraçado", filosofava Tomás, "as letras não se misturam totalmente". E continuou o pensamento, vendo-as pedirem seus sorvetes. "Às vezes eles andam em duplas e trios de vogais e semivogais, e o mesmo acontece com as consoantes". E repetiu:

Baunilha (au = vogal + semivogal)
Cupuaçu (ua = vogal + vogal)
Quais (uai = semivogal + vogal + semivogal)
Três (tr= consoante + consoante)
Creme (cr = consoante + consoante)
      
Anjo Aurélio dá a dica:
"Lembre que vogal tem som forte,
e a semivogal tem som fraco".     

- Quando uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) se juntam, o encontro se chama DITONGO.
- Duas vogais na mesma palavra, uma do lado da outra, acontece o HIATO.
- Se aparecerem uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, o grupo vai se chamar TRITONGO.
- Se aparecerem duas consoantes na mesma sílaba ou em sílabas diferentes, vai se chamar ENCONTRO CONSONANTAL.

Exemplos
DITONGO (vogal + semivogal ou semivogal + vogal): caule, aipim, cadeira.
TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal): Paraguai, saguão, quais.
HIATOS (vogal + vogal): cupuaçu, raízes.
ENCONTROS CONSONANTAIS (consoante + consoante): caboclo, planalto, três.

Quando Tomás Nota foi ligar para um amigo na Telefônica, tomou um susto. Estava lotada de letras!
Elas estavam meio chateadas. Cada letra percebeu que, sozinha, não podia dizer nada que prestasse.
Mas, como gostavam de estar juntas, formaram vários grupos, chamados de palavras:
Quem
Alô
Está
É
Aqui
O
Falando.

Foi realmente uma grande sacada. E as letras perceberam que, para comunicarem uma mensagem que alguém pudesse entender, algumas precisavam entrar em vários grupos. Veja o "a": teve que entrar em várias palavras, senão elas no estariam completas.
Então formaram uma fila: Alô, aqui, quem, está, falando, é, o.
Na hora de entrar na cabine para telefonar, as palavras viram que algumas não cabiam inteiras. Os grupos tiveram que se dividir.

O "alô" teve que se dividir em dois: "a-lô".
O mesmo aconteceu com "aqui": "a-qui".
Foi preciso dividir "falando" em três: "fa-lan-do".
"Quem", "é" e "o" couberam na cabine de uma vez só.
As letras chamaram cada grupinho que entrava na cabine de sílaba.
Assim nasceu a divisão silábica!

De acordo com a divisão em sílabas, classificamos as palavras em:
Monossílabos: com uma sílaba só, como "há", "nós", "mês".
Dissílabos: com duas sílabas, como "tu-do", "cer-to".
Trissílabos: com três sílabas, como "a-mi-go"
Polissílabos: com quatro ou mais sílabas, como "te-le-vi-são".

Viagem à Gramática - Parque Gramatical

 As duas torcidas rivais faziam o maior barulho na Arena das Palavras. Era a disputa dos antônimos, palavras com sentido oposto.

Então fez-se um silêncio. No centro da arena, os dois "faladores de antônimos" se posicionaram: um à direita, outro à esquerda. Um era magro, outro era gordo. Ganhava quem dissesse mais palavras opostas.
O juiz ergueu a mão. Começou!

- Feio! Bonito!
- Certo! Errado!
- Achar! Perder!
- Entrada! Saída!
- Plácido! Doidivanas!

Aplausos. Era uma grande partida, uma disputa notável.

Na torcida, Andréa estava alegre, Marcela estava contente, Zeca estava satisfeito, Beto estava risonho. Mas dava no mesmo. Até porque, na empolgação, a turma de cá pulava, e a de lá saltava. Era a mesmíssima coisa: uns berravam, outros gritavam, alguns ainda vociferavam. A torcida estava cheia de sinônimos, palavras que têm o mesmo significado (veja as destacadas).

Mas nas rodinhas da Arena das Palavras, outras conversas aconteciam. Algumas falavam de homônimos, outras em sentido figurado. Quer ouvir o que elas dizem?

Duas meninas trocavam impressões sobre a disputa.
- Esses faladores são uns gatinhos, não é ?
O Pedro, que ouvia a conversa delas, resolveu fazer graça:
- Que nada! Não estão vendo que eles são homens? Não são gatos!
- Gatinho é modo de dizer, seu tonto. É sentido figurado - explicou uma das meninas, piscando para a outra. - Quer dizer que eles são fofos como gatinhos.
- Eu não estou tonto! Estou me sentindo bem, até! - Pedro respondeu.
A primeira menina aceitou a provocação:
- Você pode estar saudável, mas se comporta como se tivesse batido a cabeça e ficado confuso! Leva tudo ao pé-da-letra!


Pedro resolveu dar uma volta para se distrair. Viu um garoto da mesma idade e resolveu ficar seu amigo.
- Oi, meu nome é Pedro, e o seu?
- Eu também me chamo Pedro. Nós somos homônimos. Temos o mesmo nome.
- Posso me sentar nesse banco? - o Pedro primeiro perguntou.
- Se sentar no banco? Banco é para tirar, transferir ou depositar dinheiro! - espantou-se o Pedro segundo.
O primeiro Pedro abriu a boca e arregalou os olhos. Não tinha entendido nada.
- Estou brincando - o segundo Pedro disse para tranquilizá-lo. - É só para você ver como dois seres diferentes podem ter o mesmo nome, como a gente.

Quando Tomás Nota estava subindo no Carrossel da Linguagem, um garoto chamou sua atenção:
- Seu cadalço está desamarrado. Outro dia minha irmã estava andando assim, caiu e machucou a boca dela. Meu avô até falou: "É preciso circunspecção para não ter de pernoitar no nosocômio". Aí nós riu.
O gerente do carrossel veio com uma colher e um vidrinho onde estava escrito: "Xarope de Gramática".
- Que horror! Este menino está cheio de vícios de linguagem! Assim não pode brincar no carrossel.

O homem fez o garoto engolir o xarope, e continuou:
- "Cadalço" é um barbarismo! Ou seja, escrever ou falar desrespeitando as normas da Gramática. O certo é cadarço. Ele também está com cacofonia: "boca dela" tem um som que a gente confunde com "cadela". Parece que a irmã dele machucou a cadela, e não sua boca.
Não dava descanso, esse gerente:
- E o solecismo, então? "Nós riu"... O verbo tem que concordar com o sujeito. Se "Nós" é a 1ª pessoa do plural, o verbo tem que estar no plural também: Nós rimos.

E ainda arrematou, enquanto o garoto e Tomás Nota pulavam no carrossel:
- Aliás, seu avô também precisava de um xaropinho de Gramática. Por que dizer "é preciso circunspecção para não ter de pernoitar no nosocômio"? Assim fica muito mais claro: é preciso cuidado para não passar a noite no hospital. Que preciosismo! Isso é falar como deputado.

Havia um riso preso entre os lábios de Tomás Nota. Ele gritou, quando o carrossel começou a rodar:
- Carrossel é barbarismo!
E explicou para o garoto que tomou xarope:
- Como carrossel é uma palavra francesa, na verdade, usá-la como se fosse da língua portuguesa é um barbarismo.
Garoto esperto, este Tomás Nota.

Vícios de linguagem são erros gramaticais muito praticados, como o barbarismo, a cacofonia, o solecismo e o preciosismo.

Dizem que a Fonte das Figuras de Sintaxe é um lugar mágico.
É que às vezes surgem criaturas estranhas da água que jorra da fonte.
E ali estava o nosso amigo Tomás Nota bebendo da fonte, quando tomou um supersusto: pelo reflexo da água, viu que quatro Figuras de Sintaxe estavam atrás dele.

E a primeira falou:
- Se quiser me chamar um dia, Elipse. Eu faço sumir palavras de uma frase, as que não fazem falta.
(Sem a Elipse, a frase ficaria assim: "Se quiser me chamar um dia, meu nome é Elipse. Eu faço sumir palavras de uma frase, mas apenas as palavras que não fazem falta")

Ao seu lado estava o Pleonasmo:
- Queria vê-lo com meus próprios olhos! A mim já me haviam informado que você estava passeando na Cidade da Gramática, mas queria vê-lo pessoalmente. Muito prazer, Pleonasmo é como me chamam. Sou o completo oposto da minha irmã Elipse: vivo colocando palavras desnecessárias nas frases, só para tornar o bonito mais belo!

Anjo Aurélio explica: O pleonasmo deve ser discreto e exato. Se repete sem que tenha um propósito ou interesse, torna-se defeito: elo de ligação, certeza absoluta, prefeitura municipal, fato real.

Então foi a vez do Anacoluto:
- Falar, escrever, muita gente sabe falar e escrever. Mas as Figuras de Sintaxe, somos nós que fazemos as frases ficarem mais bonitas. Eu, Anacoluto, coloco palavras no início das frases que não têm relação com o fim. Fica chique, não é?

Por fim, a bela Silepse apresentou-se:
- As Figuras de Sintaxe estamos muito felizes em conhecê-lo. O povo nos chama quando querem falar ou escrever de um modo mais sofisticado. Eu, por exemplo, crio concordâncias diferentes do normal. A isso chamam Silepse.

(Se ela fosse falar do modo mais comum, seria assim: "As Figuras de Sintaxe estão muito felizes em conhecê-lo. O povo nos chama quando quer falar ou escrever de um modo mais sofisticado" . Do jeito dela fica mais bacana, você não acha?)

Alô de onde fala é do quiosque eu queria fazer um pedido é o seguinte duas latas de ervilha um pacote de macarrão duas caixas de polpa de tomate e não molho pronto e além disso gostaria de outra coisa que viesse rápido.

- Minha senhora, aqui é o Quiosque da Pontuação. Não temos macarrão, mas temos vírgulas, pontos de exclamação, pontos de interrogação. Aliás, itens de que a senhora parece estar precisando muito...

Na hora de escrever, precisamos de alguns sinais para imitar o jeito que nós falamos, pois existe o tom de pergunta, há as pausas pequenas, as maiores... Por isso inventaram os sinais de pontuação, itens que não faltam neste quiosque:
 
!     Ponto de exclamação     usado para indicar dor, alegria, espanto, admiração, surpresa ou indignação
?     Ponto de interrogação     usado para fazer perguntas
,     Vírgula     nas datas, endereços, enumerações, chamamentos e explicações
;     Ponto-e-vírgula     para indicar uma pausa maior que a da vírgula
.      Ponto final     para indicar o término da frase e nas abreviaturas
:      Dois-pontos     para indicar uma explicação, uma lista, um resumo, exemplo, observação, ou que alguém vai falar
-     Travessão     para indicar que alguém está falando e destacar uma palavra ou oração
( )     Parênteses     para separar uma explicação no meio da frase, também são usados na matemática
...     Reticências     para indicar dúvida, incerteza ou suspensão do pensamento

 Com a pontuação no devido lugar, a frase ficou assim:

- Alô! De onde fala, é do quiosque? Eu queria fazer um pedido. É o seguinte: duas latas de ervilha, um pacote de macarrão, duas caixas de polpa de tomate (e não molho pronto); além disso, gostaria de outra coisa... que viesse rápido!



" " Aspas

Você já deve ter visto uma palavra separada por "pingos". Os "pingos" são as aspas, que a gente usa para dizer que a palavra destacada não é a mais adequada para o que se quer dizer. Como "pingos" em vez de aspas, que é o nome correto.
Também usamos aspas no começo e no final da fala de alguém: "Eu quero suco de laranja", ela disse.
Muita gente vem comprar aspas no quiosque para mostrar que retirou um trecho de outro texto: "O tempo passou na janela e só Carolina não viu" é o primeiro verso de Carolina, canção de Chico Buarque.
Repare que as aspas sempre vêm em duas duplas: no começo e no fim dos termos sinalizados. Também são usadas em palavras estrangeiras, em gírias, em nomes de livros, filmes, músicas, jornais e revistas, e para indicar ironia.

Maiúsculas/ Minúsculas

Um viveiro normalmente tem um monte de plantas e flores. O Viveiro da Ortografia é diferente. Tem uma exposição de letras: as minúsculas, que são menores...
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

...e as maiúsculas, grandonas.
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Nos canteiros do viveiro, em vez de tufos de plantas, há tufos de letras. Cada um forma uma palavra: azul, bonde, zarolho, correr. São palavras que só têm letras minúsculas.
Mas outros canteiros formam nomes próprios, que podem ser de uma pessoa, um bicho, um lugar: Helena, Ximbico (nome do meu coelho), Brasil. Nos nomes próprios, a primeira letra é maiúscula.

Abreviatura

Outros canteiros são mais esquisitos. Não formam palavras inteiras. Um deles tem tufos: PB. Sabe o que aconteceu? O jardineiro ficou preguiçoso e decidiu fazer uma abreviatura, plantando só algumas letras da palavra. PB, na verdade, é abreviatura de Paraíba! Abreviatura é a representação de uma palavra através de suas sílabas ou letras. Tem mais um do mesmo tipo: V. Sa.; isso porque o canteiro é pequeno e não cabem nele todas as letras de "Vossa Senhoria".
Olha ali outro tufo. É o vocábulo FOTO, uma abreviação da palavra fotografia. Quando reduzimos uma palavra, mas o seu sentido permanece igual, temos a abreviação. CINEMA, para cinematográfico, QUILO, para quilograma, e por aí vai...
Mesmo com um canteiro apertadinho, o jardineiro plantou uma infinidade de espécies. Para caber tudo ali, o jeito foi plantar um montão de siglas: CEP, Sesc, FGTS, Detran, Embratel... que significam respectivamente: Cadastro de Pessoa Física, Serviço Social do Comércio, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Departamento Estadual de Trânsito e Empresa Brasileira de Telecomunicações.

Acento gráfico

Chapéu, buquê, àquela são palavras especiais, pois têm um sinal em cima de uma vogal. Esse sinal se chama acento gráfico, e serve para nos lembrar qual é a parte da palavra que temos de dizer com mais força.
Á é í ó ú: Acento agudo
 ê ô: Acento circunflexo
À: Acento grave
A vogal que está embaixo do acento agudo é falada com a boca bem aberta: Zé, maracujá, também.
A vogal sob o acento circunflexo tem um som mais fechado: ônibus, câmara, pênalti.
O acento grave serve para indicar a crase: à, àquelas

Dígrafo/Homófono/Homógrafo

Na hora de escrever, quem forma as palavras? As letras.
E na hora de falar,quem forma as palavras? Os fonemas.
Cada som que nós falamos é um fonema.
Então, letra é diferente de fonema.
Geralmente, cada letra sozinha tem um som, mas às vezes acontece o dígrafo.
Preste atenção: quantas letras tem a palavra arroz? Cinco.
Mas na hora de falar, quantos sons saem da nossa boca? Quatro!
Isso acontece porque dois "r" juntos têm só um som.
Também são dígrafos o "gu" e o qu (antes de "e" e "i"), e o "ch" (que tem som de x).
Veja só: Guilherme, guerra, quero, aquilo, chato, achei.

Há até algumas palavras que escrevemos de jeitos diferentes, que têm significados diferentes, mas o mesmíssimo som.
concerto (evento musical)
conserto (reparo)
Essas palavras são chamadas de homófonas.

Por outro lado, há palavras que são iguais na hora de escrever, mas querem dizer coisas diferentes. São os homógrafos:
são (do verbo ser)
são (forma reduzida de santo)
luta (substantivo)
luta (do verbo lutar)

Til/Trema

Outras palavras têm sinais em cima das vogais só para mostrar que existe um modo especial de dizê-las.
Esses sinais são o til (que parece uma minhoca em cima do "a") e o trema (que são dois pinguinhos em cima do "u") .
Ã: til
Ü: trema
Em "órgão", por exemplo, o acento agudo sobre o "o" mostra que essa é a parte mais forte da palavra. E o til está em cima do "a" para mostrar que a gente tem de falar essa parte com o nariz...
Sim, com o nariz!!!
A gente não fala só com a boca. Experimente dizer "pão, cão, são, chão"; repare como sai um pouquinho de ar do nariz. Isso não acontece quando você fala "pau, cal, sal, tchau"- aí, realmente, todo o ar sai pela boca.
É por isso que quem está com nariz entupido fala de um jeito engraçado!

O trema serve para ajudar a gente na pronúncia, também. Observe o som do "u" em pingüim. Normalmente, o "gu" forma um dígrafo, se tem um "i" ou um "e" logo em seguida, como acabamos de ver; o mesmo se passa com "qu". Ou seja, o "u" perde seu som. Mas há casos especiais em que o "u" é pronunciado, como em tranqüilo, agüente.

Cedilha/Apóstrofo/Hífen

Uma criatura muito interessante do Viveiro da Ortografia é a cedilha. Você já deve tê-la visto em alguma praça, embora ela não seja flor.
A cedilha é aquele sinal embaixo do c: na praça, na caça, em caçador, calçada, açaí...
Quando o c vem com cedilha, ganha som de s.
Experimento: vamos tirar a cedilha do c em acaí, praca, cacador, calcada. Que caca! O c volta ao normal.

Já reparou que, depois da chuva ou do regador, as plantas ficam com pingos d'água em cima? E por que não ficam com pingos de água?
É que existe o apóstrofo ( ' ) para mostrar que a gente tirou uma vogal da palavra. Em vez de copo de água, copo d'água. Em vez de caixas de água, caixas d'água.
Como vimos, no Viveiro da Ortografia não tem flor. Mas tem beija-flor. Não tem chuva, mas tem guarda-chuva. Se você reparou, o que tem de montão no Viveiro da Ortografia é hífen ( - ): guardá-lo, falar-lhe, ferir-se. O hífen também aparece no meio dos telefones (9999-9999) e das datas de nascimento (30-02-2021), e também para separar sílabas e unir pronomes a verbos.